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Impresso e digital, novas dinâmicas de leitura
08/05/2019 23:43 em Tecnologia

Apesar da crise dos veículos de imprensa frente as mudanças trazidas pela internet, é possível tatear alguns cenários possíveis a esse respeito. 

Partindo da minha própria experiência, cujo relato faço a seguir, não creio na extinção do impresso, assim como o rádio não morreu com o advento da televisão.

No último domingo (05/05), o jornal impresso sequer tinha sido entregue na porta de casa, mas naquela altura eu já tinha navegado no exemplar via dispositivo móvel e visualizado a reprodução das páginas por fac-símile.

No dispositivo móvel, eu praticamente fiquei "zapeando" pelas páginas, lendo os títulos, na fruição de encontrar algum assunto que pudesse despertar o meu interesse. Se parei para ler algo, não chegou nem a 5% de todo o exemplar, quantidade pífia.

 

Ler um fac-símile de jornal ou revista ainda é um exercício chato. Você tem que ficar ampliando as páginas, aumentando ou reduzindo, reposicionando para ler as colunas ou ver fotos.

 

Quando acesso o mesmo jornal no site, alguns conteúdos passam despercebidos, pois ficam escondidos nos menus que organizam as editorias por assunto.

 

Por exemplo: se o meu artista preferido lançar um disco e isso não está em destaque na capa do site, eu posso não saber dessa notícia no instante. 

Eu teria que escarafunchar nos submenus das editorias para ver as novidades sobre música. A não ser que os editores do site dessem a sorte de colocar em destaque, na págima principal, aquilo que eu procuro ou o que desperta a minha atenção.

Quando a versão impressa do jornal foi entregue, a dimensão do conteúdo mudou completamente. Os assuntos, separados em cadernos físicos, proporcionam maior agilidade para encontrar o que interessa.

E o mais inusitado é que, assuntos que aparentemente seriam ignorados, são descobertos.

No dia em questão, o caderno de artigos culturais dedicou duas páginas impressas inteiras sobre o youtuber Luccas Neto.

Neto era um cara que usava a internet para destilar sua raiva a youtubers, foi processado por isso e acabou se tornando um deles, conquistou uma legião de fãs, a maioria crianças e hoje é conhecido como a Xuxa da internet.  

Algo que olhando a partir do digital, não despertou interesse, até pelo tamanho do artigo. Pensei, "e eu lá quero saber sobre youtuber".

Assim como os livros, revistas ou jornais impressos não propiciam uma dinâmica de leitura fast-food. O conteúdo impresso proporciona uma maior imersão do que o digital.

Nos livros, essa imersão na leitura por plataformas digitais só é possível através de dispositivos dedicados a esse fim, como é o caso do Kindle, da Amazon.

Com base nessa experiência, acredito que ambas as plataformas (impressa e digital) irão conviver, e que o maior drama dos veículos de comunicação é lidar com essa nova dinâmica.

A plataforma digital se reproduz com muita velocidade, a publicidade é muito pulverizada, se eu não conseguir ler um conteúdo no site A, por ser pago, com uma simples busca eu encontro no site B, gratuito, que fornece aquela mesma informação.

Não bastasse isso, os jornais e revistas impressos não conseguem acompanhar a velocidade do digital, a notícia impressa no dia seguinte está velha. A alternativa então é a busca por um formato mais analítico, diferenciado do digital.

Esse é o impacto das transformações atuais e resta ver como os grandes grupos de mídia vão se adaptar a isso.

 

Da redação

 

 

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