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Gravadoras agora produzem conteúdo!
21/04/2019 21:56 em Música

"E aconteceu. Pouco tempo depois de sair da prisão, o músico foi contratado pela gravadora Som Livre e conseguiu seu lugar ao sol no show bizz. Até que, em 1985, decidiu romper com as gravadoras e administrar a sua carreira sozinho" - jornal Folha de S. Paulo em entrevista com Geraldo Azevedo, 21 de abril de 2019.

 

"NÃO SOU NENHUM ROBERTO, MAS AS VEZES CHEGO PERTO" - novo disco de Nando Reis para plataformas digitais e produzido por gravadora independente.

 

São dois exemplos das profundas mudanças ocorridas no que diz respeito ao papel das gravadoras. No caso de Geraldo Azevedo, havia um desejo de gerir a própria carreira, enquanto que Nando Reis, mais recentemente, disponibiliza o disco em plataformas digitais.

De um lado o desejo de autogestão, do outro o resultado da música digital surgida em 1999 através do Napster. Neste último caso, uma transformação que rendeu muita resistência por parte das gravadoras e também por parte de alguns artistas. A banda Metalica processou a empresa de compartilhamento de música em 2000. Mas não adiantou, era um caminho sem volta.

Não bastasse tudo isso, o digital permitiu que os artistas transferissem também para o digital o gerenciamento e o marketing de suas carreiras. E o que fazem as gravadoras hoje? Pois bem, com a queda de venda dos discos físicos nos anos 2000 e a explosão da música digital em 2015, as gravadoras não abandonaram a função de produzir discos, mas surgiram novas divisões dentro dessas empresas.

Elas criaram novos departamentos que oferecem aos artistas soluções completas, que vão desde um disco até produção de conteúdo, como booking para mercado corporativo, licenciamento, ativações de marca, consultoria em entretenimento e marketing. Ou seja, as gravadoras se transformaram em uma empresa de conteúdo, mídia e entretenimento.

Quer dois exemplos?

Churrasco do Teló, projeto da Som Livre que leva artistas a resorts para oferecer experiências intimistas aos hóspedes.

 

Ação da Cabify com a banda Rouge (Sony Music)

 

Para os executivos das gravadoras, o perfil autogestor dos músicos foi decisivo para consolidar o mercado da música na era digital. Annita é um bom exemplo desse perfil de autogestão. Ela emplacou em 2017 um projeto de clipes em parceria com a loja de departamentos C&A. Cabe a gravadora Warner Music fazer o agenciamento da cantora, criando pontes entre o artista, o público e as marcas. Segundo reportagem do jornal Meio e Mensagem, a tendência é que esse tipo de parceria fique mais forte.

"A Universal investe em uma tecnologia denominada viewpoint para segmentação de fãs e para encontrar a forma mais precisa de conectar marca, cantor e público. A Sony também diz apostar nos dados para oportunidades promocionais e de marketing. A Warner está focada na aquisição de empresas relacionadas ao universo da música. Em março, a gravadora comprou o Endel, aplicativo alemão que usa inteligência artificial e machine learning para criar músicas que melhoram o humor do usuário. No lado musical, a empresa busca fazer parcerias entre artistas nacionais e internacionais. Já a Som Livre diz que este ano vai 'entrar com os dois pés no agenciamento de artistas'" - jornal Meio e Mensagem, 15 de abril de 2019.

A propósito do novo disco de Nando Reis, que citamos no início do artigo, há artistas que trabalham apenas com distribuidoras, como é o caso de Reis. Essas empresas fazem a ponte entre os produtos do artista e as plataformas digitais. Afinal, é preciso trabalhar a entrega desse trabalho na rede, mas elas também funcionam como uma espécie de concorrentes das gravadoras. Para profissionais da "distribuição", o termo correto seria desenvolvedora digital. Mas, independente do termo aplicado, o que importa é que até o momento artistas, gravadoras e distribuidoras parecem colher os frutos dos novos tempos.

 

Da redação

 

 

 

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